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De Lúthien a Amada
Tais ágeis membros não mais correrão na verde terra debaixo do Sol; tão bela uma donzela não mais será desde a aurora ao anoitecer, desde o Sol ao Mar. O seu vestido era azul como os céus de Verão, mas cinzentos como o entardecer eram os seus olhos; o seu manto bordado com belos lílios, mas escuros como as sombras os seus cabelos. Os seus pés eram rápidos como um pássaro a voar, o seu riso alegre como a Primavera; o esbelto salgueiro, o dobradiço junco, a fragrância de um prado florido, a luz sobre as folhas das árvores, a voz da água, mais que tudo isto era a sua beleza e bem-aventurança, a sua glória e encanto.
Ela habitava na terra encantada enquanto o poder-élfico ainda dominava os bosques entrelaçados de Doriath: ninguém nunca para ai encontrou o caminho sem ser convidado, nem a beira da floresta se atreveu a passar, ou agitar as folhas atentas. Para norte ficava uma terra de medo, Dungorthin onde todos os caminhos acabavam em colinas de sombras escuras e frias; para lá era o domínio da Mortífera Floresta sob a Noite na crescente sombra de Taur-nu-Fuin, onde o Sol era doentio e a Lua pálida. Para Sul a grande terra inexplorada; para Oeste o antigo Oceano troava, não navegado e sem costas, imenso e selvagem; para Este em picos de azul empilhadas, em silêncio envolvidas, encimadas de névoa, as montanhas do mundo exterior.
Assim Thingol no seu belo salão entre as altas Mil Cavernas de Menegroth como rei vivia: para ele nenhuma estrada mortal levava. Ao seu lado sentava-se a sua rainha imortal, a bela Melian, que tecia invisíveis redes de encantamentos em redor do seu trono, e feitiços eram postos em árvore e pedra: aguçada era a sua espada e alto o seu elmo, o rei da faia, carvalho e olmo. Quando a erva era verde e as folhas longas, quando o tentilhão e o tordo cantavam a sua canção, ai por baixo dos ramos e debaixo do Sol na sombra e na luz corria a bela Lúthien a dama élfica, dançando em vales e verdejantes clareiras.
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